Validade de instrumento epidemiológico para rastrear H. pylori entre pacientes dispépticos

Santos, Iná da Silva dos; Mendoza-Sassi, Raúl Andrés; Minten, Gicele Costa; Tuerlinckx, Giovana Costa; Valle, Neiva; Oliveira, Sandro Schreiber de; Boccio, Jose; Barrado, Domingo Andrés; Mariani, Samanta Gaertner; Carriconde, Joaquim Freitas

Abstract:

 
OBJETIVO: Validar um escore epidemiológico para identifi car dispépticos positivos para Helicobacter pylori. MÉTODOS: Estudo transversal realizado com 434 indivíduos entre 18 e 45 anos de idade, portadores de dispepsia não investigada, usuários de unidades básicas de saúde de Pelotas (RS), entre 2006 e 2007. Dispepsia foi diagnosticada conforme Roma-II. O padrão-ouro para presença de H. pylori foi o teste respiratório com 13C-uréia. Analisou-se a associação entre H. pylori e variáveis independentes por regressão logística. O escore foi construído a partir de odds ratios ajustadas. Foram calculadas a sensibilidade, especifi cidade e valores preditivos. RESULTADOS: Dentre os dispépticos, a prevalência de H. pylori foi 74% (IC 95%: 69;77,7) e esteve associada diretamente à idade e número de irmãos na infância e inversamente à escolaridade, sendo essas variáveis utilizadas na construção do escore. Os valores do escore variaram de 3-9. Escores entre 7, 8 e 9 apresentaram sensibilidade, respectivamente, de 36,6%, 22,3% e 11,1%; evalores preditivos positivos 87,8%, 90,9% e 92,1%. Sem a aplicação do escore, três de cada quatro dispépticos receberiam tratamento para H. pylori, com a aplicação, menor número de dispépticos seriam encaminhados para tratamento (um em cada três, seis e 11, respectivamente, com os pontos de corte entre 7 me 9), porém às custas de alta taxa de casos falso-negativos. CONCLUSÕES: O escore não foi válido para identifi cação seletiva de dispépticos candidatos a tratamento erradicador para H. pylori. Diferentemente do recomendado para países desenvolvidos, a alta prevalência de H. pylori torna a estratégia testar-e-tratar inapropriada para uso nos países em desenvolvimento.
 
OBJECTIVE: To validate an epidemiological score for identifying dyspeptic patients at high risk of being H. pylori positive. METHODS: Cross-sectional study including 434 users of primary health care units in the city of Pelotas, Southern Brazil, aged 18-45 years, and with symptoms of non investigated dyspepsia, between 2006 and 2007. Dyspepsia was diagnosed according to Roma-II. The gold standard for H. pylori infection was the 13C-urea-breath-test. The association between presence of H. pylori and independent variables was assessed through Logistic Regression. The score was built based on adjusted odds ratios. Sensitivity, specifi city, and predictive values of different cutoffs were calculated. RESULTS: Prevalence of H. pylori dyspeptic subjects was 74% (95% CI: 69;77.7). Prevalence was directly associated with age and number of siblings during childhood, and inversely associated with schooling; these variables were used in the construction of the score. The score ranged from 3 to 9 points. Scores 7, 8, and 9 had sensitivity of 36.6%, 22.3%, and 11.1%, and positive predictive values of 87.8%, 90.9%, and 92.1%, respectively. Without the score, 3 in every 4 dyspeptic patients would have received H. pylori eradication therapy. This proportion would have been lower with the score (one in three, six, and 11, for the cutoff points betwewen 7 and 9, respectively), albeit at the expense of a high rate of false-negatives. CONCLUSIONS: The score was not valid for selectively identifying dyspeptic individuals candidate to eradication therapy for H. pylori. Contrary to the recommendation in developed countries, the test-and-treat strategy seems inappropriate for use in developing settings due to the high prevalence of H. pylori infection.
 

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